6.9.11

Foi-se?

Era uma vez duas pessoas muito diferentes. Mas muito mesmo.

O destino, porém, quis que elas fossem muito próximas. Tanto que mesmo após elas colocarem um oceano de distância entre si, logo no momento que se conheciam, ele, o invisível, as aproximou de novo na maior cidade do país.

Colocou-os, sozinhos, sentindo-se desprezados, um ao lado do outro. Quantas lágrimas enxugadas, quantos abraços apertados, telefonemas preocupados...

Digamos que essas pessoas, porém, levaram em conta muito mais as semelhanças do que as diferenças. Certo? Neste caso, errado.

Ao não respeitarem suas diferenças, não respeitaram seu próprio espaço. A rotina, assim, foi implacável...

Cobranças dele a respeito de algo que ela não tinha maturidade para ter; falta de tato dela, para perceber que magoava.

Por fim, explosivo que é, ele disse coisas que nunca deveria ter dito. Ela, então, recolheu-se. Já não era carente, já não tinha pouquíssimos amigos --e sim muitos. Para quê salvar uma relação na qual palavras horríveis saem dos dedos ao invés da boca?

Quando a boca se cala, a ausência se torna o melhor caminho e os olhos não mais se cruzam, resta algo?

Passados quase um ano, ela parece nem se lembrar dessa separação. Sim, ela merece esse esquecimento: já sofreu tanto, já chorou tanto, por tantos e tantas... Encontrou uma felicidade cotidiana, com amigos cotidianos, namorado de quem sentir saudade, uma carreira promissora.

Esse rompimento, aliás, deu a ela novas asas. Não é maravilhoso se ver livre, sem amarras? Não ter para quem chorar inseguranças, com exceção da terapeuta, pode, sim, libertar.

E ele? As palavras dolorosas que... digitou, o rancor desmedido e a carência ainda estão lá. Triste, ele a vê apagá-lo de sua história --nem fotos em seu álbum do Facebook restam mais.

Flores não consertam nada. O que se rompeu, o que se foi...

Foi-se.